Pages

Ads 468x60px

domingo, 1 de janeiro de 2017

soBRe a EntRegA...





Certamente não estarei mais aqui quando estiver lendo estas palavras. Eu tentei dizer várias vezes, mas você não me deu oportunidade. E eu, tão ávido pela sua boca, pelo seu gosto, pela sua pele, confesso que não me esforcei por dizer nada. Me permiti o deleite do seu gosto...pecaminoso e fugaz...
 É um paradoxo estar entre um amor tão frágil e idílico e um desejo urgente de ter você nos meus braços, a sua língua na minha língua, a sua pele pregada à minha pele como se fosse uma. 

As minhas entranhas carregam o seu cheiro e neste momento percebo que o mais doce e fatal veneno é o amor...

As suas marcas são por demais profundas em mim, indeléveis. E tremo ante a lembrança de sua língua percorrendo o meu corpo e a sua voz lasciva e sussurrada em meus ouvidos,  me fazendo sentir um prazer como nunca antes havia experimentado. Não só no meu corpo. Mas em minha alma.


E depois de experimentar o seu sabor doce e inebriante, o que resta na minha boca é o gosto amargo de ver você indo embora, saciada e feliz, para outros braços que não os meus. Deitando seus sonhos em outro peito,  o seu sorriso pra outros olhos. Fazendo planos para um futuro em que não estou incluído.

Anseio pelo teu gozo, teu desejo, tua boca. Mas também pelos nossos dedos entrelaçados. Eu queria ser o primeiro a ver seu sorriso de manhã, quando acorda com o cabelo bagunçado. Ou seu mau humor por ter que levantar às 6 na segunda feira.

Não tive forças para preservar um sentimento tão puro e genuíno do seu desejo ilusório e avassalador. Antes, fiz do meu amor uma aventura barata, pra satisfazer o teu corpo, a tua vaidade, a tua confusão. Prendi os meus pés na sua teia e você regalou-se ao ver-me vulnerável e sem escape...antes de ser devorado.

Inoculou seu veneno aos poucos, palavra por palavra...dizendo que me amava ao pé do ouvido com os braços em volta do meu pescoço. 

Fui sendo paralisado. E ao ver que a aflição do seu desejo já me dominava por completo, atacou-me mortiferamente. E não pude resistir. Me entreguei  desnudo de corpo e alma, ardentemente, apressadamente, inconsequentemente... 
E agora, estou meio morto, agonizando pela necessidade cada vez maior de você.  Dizendo não com o que restou do meu juízo e sim com todo o resto de mim. Que, diga-se de passagem, já não é mais meu. É seu. Da sua boca, dos seus braços...

 Tudo por causa seu egoísmo e impiedade... roubou tudo de mim, até o que eu não tinha. O pior é que estou louco para ser aprisionado novamente. Cair na sua arapuca barata e mal feita e ser dolorosamente deliciado, mais algumas vezes. De homem feito, tornei um menino adicto nos seus braços.

Acabou. Tudo na vida passa. Pra você eu fui como um sonho de padaria.
  
Nenhum  “adeus”  teu durou muito tempo.  E isso foi minha perdição...

E se depois do seu prazer não me pede pra ficar do seu lado, te abraçar forte enquanto você se recompõe no meu peito, não posso continuar sofrendo à espera do próximo espetáculo em que você, como uma trapezista atroz brinca com meu coração lançando-o de um lado pro outro, sem rede de proteção.

O amor mais bonito é aquele que nunca foi usado.

0 comentários:

Postar um comentário