Olharam-se tímidos, como que envergonhados das cartinhas de amor, dos beijinhos clandestinos atrás do muro do colégio, longe dos olhares inquisidores de colegas menos ousados...
Ele, ainda um moleque imberbe, começou a trabalhar e fora atrás dos seus sonhos.
Ela passara no vestibular. Iria ser veterinária.
Cada um seguiu seu rumo.
Sonhava em tê-lo como marido, depositar seus medos e inseguranças nos braços, peito, boca dele. Mas preferiu entregar-se a outro. Não queria correr o risco de deparar-se com faturas atrasadas e cartas de cobrança na caixa do correio.
‘Ainda conserva os cabelos longos e bem cuidados de anos atrás. Acho que não teve filhos. ’
‘ Não deve ter se casado. Está magro, barba por fazer. ’
Os anos foram cruéis com ambos.
Tentavam descobrir sinais de infelicidade... algum traço que demonstrasse que não haviam conseguido ser felizes sem o outro.
Olhavam-se. Mas não se viam.
Tudo aquilo tinha ficado em algum banco de praça, longe dali, anos atrás.
Sofreram em silêncio. Cada um com seu orgulho se sentiam injustiçados pela vida.
Não tiveram outro amor, não foram felizes.
E agora estavam tão próximos, tão longe de serem os amantes da juventude.
Uma lágrima rolou dos olhos dela. Logo em seguida nos dele.
Fizeram menção de se aproximar, se tocar, se examinarem mais de perto... como se quisessem capturar alguma coisa súbita do passado.
Mas passaram um pelo outro, forçando um ar de indiferença, sem olhar para trás.
Ele caminhou para a multidão... perdeu-se.... Perdeu-a.
Ela entrou em um táxi, vendo afastar-se pela janela um amor que eles nunca viveriam...
Este texto me remete uma musica do Ivan Lins
ResponderExcluir" Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais..."
Beijo na alma.