
Livros, CDs, poesias... Tudo isso fica espalhado pela casa, reavivando a todo instante a sua presença. Quando, na verdade, nunca o tive por aqui.
Mesmo assim, eu gosto de imaginar você chegando de tarde, com um sorriso iluminado, vindo na minha direção com um biquinho preparado pra me beijar doce e longamente. Você sabe que eu nunca fui dessas mulheres que pensam em casamento como projeto de vida. Mas sei lá, com você foi diferente. De repente tive vontade de dividir minha cama contigo... ver você dormindo pesado...cansado, sonhando sabe-se lá com quê, enquanto eu acaricio o seu cabelo (quase escasso). De repente eu tive vontade de assinar o seu sobrenome, preparar o seu jantar, ser sua mulher. Escolher o meu melhor figurino só pra caminhar no parque quinta-feira. Incluir você nos meus planos, ouvir como se fosse uma ode o resumo do seu dia no trabalho, depositar meu olhar sobre seu, chorar no seu colo assistindo Conde de Monte Cristo na versão original, achar graça de coisa nenhuma, ir a uma loja de discos, torcer pro seu time, rir de você, ficar agarrada ao teu corpo num dia de chuva, descobrir uma imagem nas nuvens, viajar de ônibus por muitas horas enquanto você cochila e deixa pender a cabeça no meu ombro. Apontar uma estrela, te escrever um poema. Dizer que eu te amo e ler o mesmo nos seus olhos. Mas é só uma vontade, uma imensa vontade, que eu não quero que passe.
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