Pages

Ads 468x60px

sexta-feira, 20 de maio de 2011

sobre FAlar... (diálogo quase real)


- Pega tudo.
- Tô pegando, calma.
-Eu não quero nada seu na minha casa. Nem um fiapo da sua toalha no meu Box. Não quero nem uma meia, nem u...
-Cala a boca!

-Como você manda eu me calar deste jeito na minha casa?
-Você já me teve dentro do seu corpo. Me tem em cada poro da sua pele. Vai sempre ter algo de mim.
-Eu não te amo mais. Eu... Eu... Eu te odeio!
-O ódio também é uma forma de amor. Você me odeia. Logo, você me ama. Silogismo.
- Pretensioso. Desde criança você é assim. Eu não te amo e ponto. O fato de você não acreditar não muda a verdade.
-Não me amar é o mesmo que ser indiferente; não é isso o que você sente. Pronto. Tá tudo aqui.
- Tudo mesmo? Não quero que você volte com a desculpa de que veio buscar uma gravata ou coisa assim.
-TUDO.
-Hum... Eu quis que tivesse dado certo.
-E deu. Só não foi pra sempre.
-Se você não fosse tão incompreensível, tão desatento.
-Se você não me julgasse tanto e não se eximisse da responsabilidade.
-Dizer eu te amo faz falta. Senão adoece o sentimento. Pensei que você não me amasse mais.
-Todos os dias durante estes anos eu amei você.
-Ah é, amou?
-Amei.
-Mas você bem que podia dizer, de vez em quando...
- Eu te dizia todos os dias. No meu olhar apaixonado. No meu beijo de boa noite. Final de expediente, minha boca pedindo um chope, mas antes eu vinha direto saber se você estava bem e queria vir comigo. Como eu disse, eu sempre amei você. E te disse isso.
-Podia ter dito com palavras.
-Eu te amo não é “bom dia”, “oi”, “tchau”...
-...
-Talvez não fosse este o amor que você esperava receber. Mas era o melhor que eu tinha pra te dar.
- Está querendo que eu agradeça?
- Adeus.
- Espera.
- Que é que foi?
- Quem sabe... um dia...
- Não queira que as coisas demorem mais do que o tempo necessário. Você quer que eu vá embora e eu estou indo.
- Esp-pero que aprenda a a-amar de verdade.
-Espero que encontre alguém que diga que lhe ama novecentas vezes por dia. Não lhe dê beijos ao se deitar nem quando você se levantar, nem se preocupe com estes detalhes insignificantes de como foi o seu dia e se você tá afim de tomar um chope depois de ter passado o dia inteiro cuidando da casa. Adeus.


Saiu, fechando a porta devagar, como se quisesse reabsorver alguma coisa, perdida que ainda pairava na casa...
De fora, ele ainda podia ouvi-la... Mal se continha, chorando baixinho e contrita.
Um choro que ele mesmo sufocava dentro do próprio coração.


2 comentários:

  1. Que lindo!
    Confesso que por muitas vezes fui assim. achava que o eu te amo dito era melhor do que o sentido. Até perceber que palavras se perdem no vento e atitudes não.

    Espero que eles voltem. =)
    Beijo.

    ResponderExcluir