Eu ficava
olhando pra ela e tentando adivinhar em que estaria pensando. Sempre tão
introvertida e séria, mas sabe, lá no fundo dos olhos, aquela alegria latente.
Olhar pra ela dava a sensação de que a tempestade dentro da gente ia se
acalmando...devagarinho...
Pode ser que estivesse preocupada com a velhinha que passou mal na
fila do supermercado, afinal, é muito empática e preocupada com as pessoas. Ou
talvez fosse falta de dinheiro pra pagar alguma conta, ou comprar algum sapato.
Não que ela fosse fútil, mas não gostava de não ter controle sobre as suas
vontades. Foi então que você entrou na sala. E o rosto dela se tornou mais
radiante que o sol quando desponta pela manhã. E depois se tornou mais triste
que uma tarde de domingo quando chove. Ela deve ter se lembrado que você não
era dela. E que não podia escolher não querer você, porque já era um veneno que
percorria todas as suas veias, artérias e capilares. Você não notou, ninguém
notou. Mas é que eu a conheço bem, entende? Crescemos juntos. Trocamos confidências
sem trocar palavras. Não, não se sinta culpado. Não provocou isso. Mas é que o
seu jeito... o seu jeito a perturba. De um jeito bom. É inato a ela. É claro
que ela não vai dizer. Não admite nem pra si mesma. Mas um dia passa. Quando você
não estiver mais lá. Ela vai chorar, vai se sentir uma idiota quando lembrar da
sua boca na boca de outra, e do cheiro nos pulmões da outra. E que um dia
pensou em assistir filme sentada no tapete do sala enquanto enroscava seu
cabelo. Ou fazer massagem nos teus pés quando chegasse cansado do trabalho. Não se preocupe, ela vai superar. Porque tem um coração elástico, tenaz. Aguenta a
porrada que o amor lhe dá de vez em quando. Não precisa fazer essa cara, ela
não sente isso por qualquer um. Eu não sou bom de literatura. Mas, tem um poeta aí que fala que cada pessoa
que passa pela nossa vida, leva algo de nós e deixa algo de si. Você vai deixar seu sorriso, seus erros de português e seu medo de panela de pressão. Ela vai se lembrar de você. De que, enquanto conversavam ela tentava imaginar seu rosto quando criança. Acha que você não mudou nadinha. Quer um conselho? Saiba se divertir com as suas besteiras e devaneios, e não a repreenda quando estiver sonhando demais. E tem certas verdades que ela não gosta de ouvir (você sente falta de alguém pra amar, por exemplo). Ela não é morna nem metade.Tem uma ótima memória emocional. Estou certo de que daqui há 40 anos ainda vai falar de você. Cuide dela, pois é inteiramente sua. Digo, a sua amizade, rs. Afinal, te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
Eu não falei assim de Chaplin,mas origado por ter transformado dez minutos de conversa em um texto nú e sem reservas, rsrs.
ResponderExcluirP.S.:Minha boca meu cangote estarão sempre a sua disposição, pro caso de querer esquecer mais depressa.
Edmond Dantes