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sábado, 26 de março de 2011

Até a proxima!


Só Deus sabe por que folhas chegaram a se encontrar.
O fato é que estão frente a frente... sem se olhar nos olhos.  Isso de se olhar nos olhos é intimidade que ainda não têm...
Entre uma mão e um beijo, ela procura no olhar dele algum sinal de ternura, sem lascívia. Deseja crer piamente que ele a deseja com toda força. Que quer acordar todos os dias e ligar pra ela antes mesmo de escovar os dentes.
Beijam-se.
As mãos dele procuram . Ela sabe. Quer. Mas não deixa. Não quer que ele pense que ela é vulgar.
Trocam uma meia dúzia de palavras... se beijam de novo.
As mãos dele procuram algo, ao que ela resiste. Torce pra que sim, mas ele não mais insiste.
Ela gosta de se entregar. Gosta de pertencer. Mas merecia um Oscar pelo super ar de indiferença que demonstra quando depois de um beijo sufocante ele diz “até próxima”.
Até a próxima.
Nem sequer um abraço. Nem sequer repousou a cabeça em seu peito, pra, disfarçadamente, ver como aquele coração estava a ponto de explodir.
Sem mãos dadas, sem pedidos de telefone, sem “você está linda” ou ”como foi o seu dia?”.
Um beijo, breve, seguido de um “até a próxima” fleumático.
Intimamente ela se pergunta se na boca dele fica o mesmo gosto amargo de “até a próxima”.
Ela não sabe.
Vai embora com passos lentos, numa noite sem lua, sem idéia do quanto ainda esperaria até a próxima.

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