Pages

Ads 468x60px

quarta-feira, 30 de março de 2011

SENTIR


Viver não é mais que sentir. Viajar. Em um som, uma lembrança, daquelas que fazem a gente rir assistindo ao telejornal.
Ok, você pode até dizer que meu romantismo é irremediável. Mas me ensina como ser indiferente a um sorriso? E a quando o vento espalha seu cabelo? É uma catarse. Viver é sentir um vigor extasiante quando depois de levantar com a maior preguiça pra ir trabalhar, pára no sinal e vê um casal de velhinhos caminhando de mãos dadas, na maior animação, como se fosse o último dia de vida deles. E porque não sentir simpatia pelo cãozinho debaixo do banco da praça, todo feliz com um osso que o cara do bar jogou pra ele?  E o cara do comércio, que trabalhou de pé o dia todo e ainda cedeu seu lugar no ônibus pra senhora da veia aparente nas pernas. Tão raro quanto uma nota de cem. Chorar assistindo Playing for change. E depois, escrever sobre essas minúcias que fazem a vida valer à pena. Escrever sobre tudo o que a gente cala por razões diversas, dormir sorrindo, olhando a lua, cantarolando qualquer coisa num inglês tão falso quanto o discurso de um parlamentar. Continuar sonhando e tendo esperança, mesmo depois de pegar o salário. Ou ver um moleque pedindo socorro, nos braços da mãe na fila de um hospital. E ainda sentir emergir do coração dos nossos corações aquela sensação de que viver vale a pena mesmo, só porque tem algo pra lembrar. Algo pra mudar. Algo pra calar. E depois escrever. Pra aliviar a febre de sentir.

Um comentário:

  1. Você ja ouviu dizer que os olhos do poeta ensinam a ver? Incrível a maneira como você escreve, tira do dia-a-dia coisas aparentemente triviais, mas que no fundo fazem todo sentido.
    Por isso que te amo, ou melhor, amor te ler.rsrs

    ResponderExcluir