Uma saída despretensiosa. Estava cansada, apenas. Precisava falar. Mas não encontrava palavras. Tudo estava tão calmo. A rua vazia. A noite vazia. Os braços vazios. O coração vazio. Apenas a lua e alma cheias.
Pensou em voltar. Talvez fosse melhor ir embora, tomar umas duas taças de Martini, deitar e dormir. Dormir não. Pensar. Andava navegando por mares tão revoltos. Precisava de paz. Talvez precisasse se afogar. Desejou que chovesse. Continuou.
Era tão doce vê-la caminhando. Andava como se fosse pender para a direita. Uma leveza tão insuportável, que parecia que ela fosse ser levada pelo vento. Abaixou-se e pegou uma pedra. Era uma pedra diferente. Tinha um formato oblongo, e apesar de ser uma pedra simpática, era tão fria e dura que teve vontade de xingá-la.Não a soltou. No fundo, eram parecidas. Ambas estavam largadas, sozinhas, brancas e frias, iluminadas apenas pela luz de uma lua branca e imponente. Distante. Mas tão só quanto elas. Chorou.
Largou a pedra. Aquela solidão era tudo que tinham cada uma delas. E não queria a companhia de ninguém.
Não queria o calor de ninguém. Não queria a simpatia de ninguém.
A noite escura, a lua sozinha olhava pra ela.
A pedra na calçada tão só quanto ela.
Pensou na solidão das pessoas em suas casas.
Ou em pés que estariam se aquecendo debaixo de um cobertor de lã... em algum quarto onde a noite não era fria, escura. Onde não haviam pedras oblongas... onde o silencio era quebrado pelo sonido da respiração próxima dos ouvidos...
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